Nova Fiat Strada adotará plataforma híbrida em 2028

A terceira geração da Fiat Strada usará plataforma híbrida mista (CMP e MPP) a partir de 2028. Projeto XBP mira eficiência com motor 1.0 Turbo de 12V.

Por Sofia Carvalho ·

Acabou de acontecer. A Stellantis oficializou, por meio de movimentações estratégicas em seu polo automotivo em Betim, que a terceira geração da Fiat Strada entrará em uma fase de metamorfose estrutural profunda. O projeto, identificado internamente como XBP, não é apenas uma atualização estética, mas uma mudança de arquitetura que alinha a picape mais vendida do país às novas exigências de eletrificação do mercado brasileiro. A partir de 2028, a picape abandonará a base atual para adotar um sistema misto: a dianteira da moderna plataforma CMP combinada com a traseira da arquitetura MPP.

Esta decisão técnica visa resolver uma das maiores limitações do modelo atual ao tentar implementar tecnologias de eletrificação sem comprometer a capacidade de carga ou o espaço interno. Ao mesclar as plataformas, a montadora busca otimizar custos de escala, utilizando a CMP para abrigar os componentes eletrônicos e o novo trem de força, enquanto a MPP garante a robustez estrutural necessária para uma picape que atua tanto no trabalho pesado quanto no uso urbano. O movimento é uma tentativa direta de manter a liderança no ranking frente a concorrentes que já nasceram com projetos focados em eficiência energética.

Arquitetura híbrida e motorização

O coração da nova Fiat Strada será o conjunto mecânico que já começa a se consolidar na gama da marca: o motor 1.0 Turbo Flex 200, agora associado a um sistema híbrido leve de 12 Volts. Este sistema, embora não seja um híbrido pleno, promete um ganho de eficiência no consumo de combustível e uma redução nas emissões de poluentes, um ponto de atenção crítico para a conformidade com as novas leis ambientais que entrarão em vigor no Brasil nos próximos anos.

Os números confirmados para o propulsor seguem mantendo o patamar de 116 cv de potência e um torque máximo de 20,4 kgfm (aproximadamente 200 Nm). Embora a potência pareça conservadora, a calibração do torque em baixas rotações é o que define o sucesso da picape no transporte de carga. A integração do motor elétrico auxiliar visa suavizar o funcionamento do sistema start-stop e auxiliar em retomadas, onde o consumo de combustível costuma ser mais elevado. Para entender melhor como essa transição afeta a vida útil do veículo, consulte nosso guia de bateria.

Dimensões e espaço interno

As estimativas apontam para um veículo ligeiramente maior que a geração atual, visando melhorar o conforto dos ocupantes, especialmente nas versões de cabine dupla. A nova Fiat Strada deve apresentar um comprimento de 4,47 metros, com uma largura de 1,76 m e uma altura de 1,60 m. O dado que mais chama a atenção é o entre-eixos de 2,75 m, que deve proporcionar um ganho real de espaço para os passageiros do banco traseiro, um dos pontos mais criticados na configuração atual.

Este aumento nas medidas posiciona a picape de forma estratégica entre as compactas tradicionais e as médias de entrada. A preocupação da Stellantis é clara: não elevar o custo de produção a ponto de tirar a Strada do segmento de entrada. A estratégia de compartilhar componentes entre as plataformas visa garantir um preço final competitivo, evitando que a tecnologia híbrida afaste o consumidor fiel. Se você planeja trocar de carro, pode simular as condições de financiamento para se preparar para o valor final esperado na data de lançamento.

O que preocupa no projeto XBP

Apesar da modernização, o uso de duas plataformas distintas para criar um único chassi gera incertezas sobre a complexidade da manutenção a longo prazo. O motorista brasileiro, acostumado com a simplicidade mecânica que consagrou o modelo, pode enfrentar desafios nas oficinas independentes ao lidar com um sistema elétrico de 12 Volts integrado. A curva de aprendizado da rede de concessionárias e a disponibilidade de peças específicas para essa arquitetura híbrida serão fatores decisivos para a aceitação do mercado.

Além da parte técnica, a infraestrutura de suporte a esses novos veículos híbridos leves no Brasil ainda é desigual. Embora não dependam de recarga externa, como os elétricos puros descritos no nosso guia de recarga, o sistema demanda uma bateria de 12V específica e sensores que, se falharem, podem imobilizar o veículo. A confiabilidade do conjunto será colocada à prova assim que as primeiras unidades saírem das linhas de montagem em Betim.

Comparação com o mercado atual

| Especificação | Strada (Atual) | Strada (Nova Geração 2028) |

| :--- | :--- | :--- |

| Plataforma | Modular | CMP (Frente) + MPP (Traseira) |

| Motor | 1.0 Turbo / 1.3 Aspirado | 1.0 Turbo 200 (Híbrido 12V) |

| Potência | 130 cv / 107 cv | 116 cv |

| Torque | 20,4 kgfm | 20,4 kgfm |

| Entre-eixos | 2,73 m | 2,75 m |

| Sistema Elétrico | 12V Padrão | 12V Híbrido Leve |

A nova geração aposta na eficiência sobre a força bruta bruta. Enquanto a versão atual prioriza a entrega imediata de performance, o projeto XBP foca na sustentabilidade do uso. Se você busca entender como esses modelos se posicionam atualmente no catálogo da marca, é possível fazer o comparar entre as versões disponíveis hoje para visualizar a evolução tecnológica.

Veredito NAZ: ESPERA

Prós: Atualização da plataforma garante maior espaço interno; tecnologia híbrida alinhada às normas de emissões; manutenção da robustez da linha MPP.

Contras: Complexidade técnica elevada no pós-venda; potência mantida sem grandes saltos de performance; incerteza sobre o preço final de lançamento.

Nota NAZ: 7/10, pois a transição tecnológica é necessária, mas o desafio de custo-benefício para o consumidor final ainda é uma incógnita.

Concorda com a direção que a Fiat está tomando com a picape? Deixe seu comentário abaixo.